segunda-feira, 27 de junho de 2011

Não se fazem mais crentes como antigamente...


Um dia, após meu sermão dominical, viraram pra mim e disseram:
__Não se fazem mais pastores como antigamente.
Isto fora dito por que me viram pregar sem gravata e paletó.
Não estendi a conversa, tenho meus conceitos e não me importo com o que digam como estou. Me importo com o que sou, sempre revejo meus conceitos e minha forma de ler o evangelho.
Não como desabafo, mas como quem já foi enxovalhado pela ignorância cristã, afirmo sem medo:
__Não se fazem mais cristãos com antigamente.
“Os cristãos eram assim chamados porque trilhavam o caminho de Jesus” assegura Peterson¹. Os cristãos contemporâneos não são assim. Eles trilham o caminho da multidão; o caminho da prosperidade; o caminho do milagre; o caminho largo; o caminho de Balaão; o caminho do não tem nada haver; o caminho de Jonas; o caminho do Jovem Rico; o caminho da igreja de Corinto; o caminho...
            Igualmente os cristãos de Corinto, os cristãos supervalorizam os dons em detrimento dos frutos. Supervalorizam a língua estranha ao amor; a revelação ao domínio próprio; a profecia a longanimidade. Alertei minha comunidade que na vinda de Jesus, Ele vai balançar a figueira da nossa existência, não a procura de dons e espiritualidade, Ele procurará frutos e bons frutos (Jo 15.16). 
            Igualmente os nove leprosos (Lc 17) assim tem sido os cristãos, correm atrás das bênçãos e desprezam o Deus da bênção. Multidões congregam nos templos e praças a procura de milagre. Os cristãos não vão ao templo adorar, vão buscar milagre; não vão servir, vão para ser servido; não vão para cultuar, querem ser cultuado. Dez leprosos estiveram num culto dirigido por Jesus, todos os dez receberam o milagre, mas somente um foi salvo. Terminado o culto, nove disseram:__ Vamos embora, já recebemos a bênção. Terminado o culto um disse:__ Vou adorar o doador da bênção; não quero a bênção de Deus, quero o Deus da bênção. Este último, retornou para casa, abençoado e salvo. Os outros, foram para o inferno sem lepra.
           
            Terminantemente afirmo: Não se fazem mais crentes como antigamente.



¹PETERSON. Eugene H.. O Caminho de Jesus e os atalhos da igreja. São Paulo (SP): Editora Mundo Cristão, 2009.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O último cristão

A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendermos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. “Meu Deus”, dirá você, “se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida?”.

Aqui faz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.

                                                                                                                                  Soren Kierkegaard ¹




¹ BRABO, Paulo. A bacia das almas: Confissões de um ex-dependente de igreja. São Paulo (SP): Mundo Cristão, 2009.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A Igreja que não existe mais! by Ariovaldo Ramos

                                                                                01
“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2. 43-47  

Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.         

Segundo
o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum)– os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo a disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.         

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.         

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. (MT 6.9) ” estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.          

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.
Essa Igreja não existe mais!
                                                                           02

“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Tg 5.14,15

Os membros da comunidade do Cristo não precisavam orar por cura física, bastava procurar os presbíteros: lideres eleitos pelo povo, a partir de suas qualidades como cristãos (1Tm 3.1-7); que eles ungiriam com óleo, que representa a ação do Espírito Santo, porque é o Espírito Santo, quem unge e cura (Lc 4.18), e a pessoa seria curada; claro, sempre segundo a vontade do Senhor, porque essa é a regra de ouro: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu. (MT 6.10)”

Os crentes em Jesus de Nazaré, não precisavam fazer varredura espiritual para ver se tinham qualquer problema, parecido com o que hoje é chamado de maldição hereditária, ou similar. A oração dos presbíteros ministrava o perdão de Deus, conquistado por Cristo na cruz e na ressurreição.       

Deus havia respondido todas as orações por cura física pela instituição de presbíteros, que tinham a autoridade para ministrar o poder de Cristo sobre a enfermidade, segundo a vontade de Deus, dependendo, portanto, apenas, do que o Altíssimo tivesse decidido sobre a pessoa em questão.

Essa Igreja
não existe mais!
                                                                     03

Pelo que orava a Igreja do Novo Testamento?           

“Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura milagrosa. E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse. Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.” At 4.21-31 

Oravam para que nenhum sofrimento os impedisse de glorificar a Cristo, de anunciá-lo com coragem e determinação – o Cristo que eles viviam diariamente pela fraternidade solidária. Oravam por missão!
Para além da Igreja que está sob perseguição, não há sinal de que essa Igreja ainda exista!
                                                                                 04

O que existe?  

- A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível?- Ajuntamentos cúlticos – há os que procuram se pautam pela Bíblia, e os que nem tanto.         
- Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto.- Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto.        
- Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto.
- Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto. O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento.
- Ação social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto.
- Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos.           
- Títulos - em profusão, constratanto com a escassez de irmãos.
- Orações - principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento.           
- Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação.   
- Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.
- Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma.
- Ricos e Poderosos - muitos e cada vez mais se declaram conversos, mas não se converteram como Zaqueu.          
- Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise.       

E
ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8)    

Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!