segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Amor

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões (1524-1580)

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará.   

1 Coríntios 13:1-8

sábado, 24 de setembro de 2011

Paulo e Daniel

Dos anos que se passam,
Dois mil e onze será misérrimo;
Nenhum assomo de sarau,
Platonicamente se verá.

Paulo grande amigo e primo Daniel,
Enlaçados pela vida eterna.
Do poento caminhão fagueiro,
Só se sobraram lutuosos epitáfios.

O acalanto dos que ainda vivem,
Rutilará do imo da eternidade.
Onde os que já se cobriram da mortalha,
E os que da mortalha se envergaram;
Celeremente se associarão.

domingo, 11 de setembro de 2011

Paz na Morte?

Você vai morrer hoje.
Que modo indigesto de começar uma postagem? Mas fiquem tranquilos, pois não serei lutuoso.
            Estive doente[1] esta semana, precisamente quinta e sexta-feira. Passei dois dias sem comer e uma noite sem dormir – perdi quilos que nunca tive. Na sexta-feira à tarde, me sentia muito fraco, igualmente a seleção de Mano Menezes[2].
            Cogitei sobre a morte nestes momentos desenxabidos. Durante essas cogitações, duas pregações vieram à mente. “A Morte” do Padre Antonio Vieira e “Você vai morrer” do Pastor Neil Barreto. Refletindo sobre essas duas pregações e revirando de dor na cama, respondi duas perguntas inferidas do contexto das pregações, sendo:  

            Você já morreu Ronair?
            Antonio Vieira afirmou na peroração de seu sermão que “só logram descanso na outra vida os que seguramente já morreram antes de morrer”.
            Respondi que sim. Fiz menção às palavras paulinas assegurando que não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim[3]. Em consonância com o sermão assegurei-me que a inveja, os cuidados do mundo, as emulações, as contingências do mundo não me dominam, nem me atraem mais.

            Você esta vivendo Ronair?
            Pastor Neil afirmou que a iminência e a inevitabilidade da morte devem nos motivar a viver com mais intensidade.
            Confessei que o sistema religioso em que fui criado, me fez perder muitas aventuras na adolescência. Todavia, uma leitura integral da Bíblia, sem os óculos do fanatismo e da religiosidade, fez-me ver Deus como um Pai Sorridente descrito por John Piper e não o espoliador do movimento anti-cristão atual.

           
            Após responder essas perguntas, orei por uns poucos minutos dizendo:
            __Eis aqui o teu servo Pai. Na vida ou na morte, quero sempre ser totalmente Teu. Mas ..., sou jovem, muitos planos ..., prefiro viver.


              
Paz e fé.


[1] Acreditando que já passou da época de responder se pastor pode ficar doente ou não, não vou me deter aqui.
[2] Aquela que não tinha o Gaúcho e da copa América.
[3] Gl 2.20

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Libertas quae sera tamem

Hoje, 7 de setembro de 2011, é comemorado o dia da Independência. Foi nesta data, no ano de 1822, que foi proclamada a Independência do Brasil, na cidade de São Paulo.
Todavia, este dia já havia sido prenunciado. O dia 21 de Abril nos faz lembrar esse doloroso processo. A inconfidência[1] mineira e o esquartejamento de Tiradentes revelam-nos o preço pago por essa “liberdade ainda que tardia”.
Com isso quero dizer que ando revoltado; já esta passando da hora de uma reforma na reforma. O sincretismo religioso, o pragmatismo cristão e as teologias anti e extra-bíblicas nos assustam.
Nos dias de Lutero se vendia indulgências, hoje se vende cura, o evangelho... Adoravam-se ossos e relíquias sagradas, hoje se adoram pastores, pastoras, cantores, cantoras...; o culto sem uma estrela gospel não tem Deus. Nos tempos de Lutero o povo não tinha acesso a Bíblia, hoje a Bíblia é insuficiente; revelações, visões e experiências tem preeminência. Se você quiser uma apreciação do auditório, diga: _Deus me revelou. A exposição das escrituras esta perdendo seu espaço nos cultos.
Não quero ir para o céu de Don Piper. Não quero as divinas revelações do céu ou do inferno, nem as bênçãos das caixas de promessa. Não quero entrar na cabana do deus desconhecido. Não posso navegar na maré dos pragmáticos.
Cedo meu pescoço para dizer:
__Cuidado com o caminho da maioria e das facilidades. Dê a preferência à Deus a todos os ídolos do mercado gospel. Pare com essa louca mania por experiência. Atenção aos frutos das árvores, não se mede espiritualidade pelos carismas.
O mais interessante é que quem denunciou os inconfidentes, coronel Joaquim Silvério dos Reis, fez isso em troca do perdão da dívida que possuia junto à Fazenda Real. Não podemos vender a verdade por um prato de lentilha. Não troquemos o eterno, pelo passageiro; a glória de Deus, pela dos homens. Liberta-te antes que seja tarde.              

            Paz e fé.

[1] Falta de Fidelidade, traição, desobediência ao soberano.