quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Deus me livre de um Brasil evangélico

Longe de assumir a posição do Pr. Ciro Sanches, gostaria de deixar uma palavra sobre o festival promessas. No momento em que estava sendo televisionado o evento eu estava viajando, e só tive a oportunidade de ouvir o Pregador Luo. Senti vergonha ao ver uma pessoa que se diz evangélica e pregador, usar um tão poderoso meio de comunicação para passar a mensagem evangélica e simplesmente não passar; ao contrário, passou a mensagem mercadológica atual.
Não estou falando do estilo, estou falando da letra, da mensagem pregada pelo tal pregador. Imagine uma pessoa que não conheça a Bíblia, não conheça Jesus, e essa tal pessoa vai ouvir a mensagem de um pregador e ouvi a seguinte mensagem:

Gol, gol, gol o Brasil é
Gol, gol, gol craque chuta é
Gol, gol, gol eu tô com fome de gol
Ôôôôôôôôôôôôôôôôô
Dança, balança, segura, responsa
Colosso gigante que chega e estronda...
.... Fé no time, fé no homem, fé na camisa dez
Voam alto canarinhos que também são leões
Brilham bonito, cospem fogo, queimam até dragões
Milhões e milhões sinceras orações...

            Os nomes: Deus, Jesus, Bíblia, Salvação, Pecado, Conversão, Cruz..., não foram mencionados. Tenha fé no time, tenha fé no homem, tenha fé na camisa 10 e ore por gols, foi à mensagem que o Pregador Luo passou. O evangelho pregado por Luo ensina algumas coisas importantes, sendo:

            Deve-se ter mais fé, não em Deus, mas no Santos.
            Deve-se ter mais fé no Neymar.
            Deve-se ter mais fé no Kaká, camisa 10.
            Deve-se orar insistentemente por mais gols.

            Concluída a pregação - Glória a Deus - e todos voltam para casa cheios da glória de Deus. Essa é a mensagem que comove e que traz salvação, nos paradigmas atuais. Com que mensagem a pessoa imaginada voltou para casa?


Lembro-me do meu pastor dizendo: Ronair seja prudente, você pode ser a única Bíblia que alguém possa ler. Sabendo que inúmeras pessoas adoram o Pregador Luo, não me atreverei a usar a veemência de Ciro Sanches, mas a verdade “Nua e Crua” de Ricardo Gondim: Deus me livre de um Brasil evangélico.
Deus me livre de ouvir tais pregadores. Deus me livre dessa geração hedonista, antropocêntrica e corrompida.  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Natal e o Nome do Menino by Augustus Nicodemus

          "Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles" (Mateus 1:21).

          De acordo com o relato acima do Evangelho de Mateus, o nome de Jesus Cristo foi dado pelo anjo Gabriel quando anunciou seu nascimento a José, desposado com a virgem Maria.  Gabriel não somente disse que Maria estava grávida pelo Espírito Santo de Deus como orientou José a chamar o filho de "Jesus". 

          A razão para este nome, cuja raiz em hebraico significa "salvar," é que aquele menino, filho de Maria e Filho de Deus, haveria de salvar o seu povo dos seus pecados, conforme anunciou o anjo.
Não precisamos ir mais longe do que isso para entender o significado do Natal. Está tudo no nome do Menino. No nome dele, Jesus, temos a razão para seu nascimento, a sua identidade e a missão de sua vida. Em outras palavras, aquilo que o Natal realmente representa.

          A razão do seu nascimento é simplesmente esta, que somos pecadores, estamos perdidos, não podemos resolver este problema por nós mesmos e precisamos desesperadamente de um Salvador, alguém que nos livre das consequências passadas, presentes e futuras dos nossos erros. Deus atendeu nossa necessidade escolhendo um homem como nós para ser nosso representante e Salvador, alguém que partilhasse da nossa humanidade e fosse um de nós. Esse homem nasceu há dois mil anos naquela manjedoura da cidade de Belém, num pais remoto, lá no Antigo Oriente. E ganhou o nome de Jesus por este motivo.
Sua missão era assumir nosso lugar como nosso representante diante de Deus e sofrer todas as consequências de nossos pecados, erros, iniqüidade, desvios e desobediências. Em vez de castigar-nos com a morte eterna, como merecemos, Deus faria com que ele a experimentasse em nosso lugar, que ele experimentasse toda dor e sofrimento conseqüentes dos nossos pecados. Essa missão foi revelada logo ao nascer pelo anjo Gabriel ao recitar seu nome a José: Jesus.

          Para nos salvar de nossos pecados, ele teria de sofrer e morrer, ser sepultado, ficar sob o domínio da morte e desta forma pagar inteiramente nossa dívida para com Deus. Somente assim poderíamos ser salvos das consequências eternas de nossa desobediência. Mas, para que os benefícios de seu sofrimento e de sua morte pudessem ser transferidos a outros seres humanos, ele não poderia ter pecado ou culpa pois, senão, ao morrer, estaria simplesmente recebendo o salário do seu próprio pecado. Mas, se ele fosse inocente, sem pecado e perfeito, sua morte teria valor para os pecadores. Por este motivo, ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, ainda virgem, Filho de Deus, sem pecado. O Salvador tinha que ser Deus e homem ao mesmo tempo.

Quando um colunista, que objeta ao nascimento sobrenatural de Jesus, escreveu recentemente em um jornal de grande circulação de São Paulo que virgens não dão à luz todos os dias, ele estava mais certo do que pensava. Esse é o único caso. Jesus é único. Deus e homem numa só pessoa. Nem antes e nem depois dele virgens engravidam sobrenaturalmente. Da mesma forma que Deus não cria mundos todos os dias, também não gera salvadores de virgens cotidianamente. Pois nos basta este.

          O famoso teólogo suíço Emil Brunner disse que todo homem tem um problema no passado, no presente e no futuro. No passado, culpa. No presente, medo. E no futuro, a morte. Jesus nos salva de todas estas consequências do pecado: nos perdoa da culpa de nossos erros passados, nos livra no presente do medo ao andar conosco e nos livrará da morte pois ressurgiu dos mortos e vive à direita de Deus. Um dia haverá de nos ressuscitar.

          É isto que o Natal representa. É por isto que os cristãos o celebram com tanta gratidão e alegria. Nasceu o Salvador. Nasceu Jesus!  Como este anúncio alegra o coração daqueles que têm culpa, sentem medo e sabem que vão morrer!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Geração de descabeçados

Estou lendo “Contos Plausíveis” de Drummond de Andrade. O conto “A volta das Cabeças” encantou-me. No conto lemos que os parlamentares funcionam sem cabeça. Quando estes decidiram recolocar suas cabeças, o governo interveio dizendo que deveriam recolocar por partes, sendo um processo gradual – que nunca que se concretizará.
No meio cristão as coisas não estão diferente. Cristãos sem cabeças é o que vemos na pós-modernidade. Franklin Ferreira afirmou que 70% dos novos formandos em teologia nunca leram toda à Bíblia. Nos ciclos neopentecostais as coisas estão ainda piores. O sincretismo envergonha o cristão cristocêntrico. Deus virou garçom, o evangelho negócio e a igreja comércio.
As músicas evangélicas – comerciais, os pregadores evangélicos – mascates - assumem seus postos. Cantam e pregam só vitória, só dinheiro e só prosperidade. Asseguram que filho de Deus não pode sofrer, não pode chorar. Sobre o céu já não se falam mais, a volta de cristo é utopia e o inferno é o seu próximo.
Após meus sermões e conversas após os cultos em que prego, fico-me se sou antissocial ou antibíblico. Nesses momentos embaraçosos, vem a minha memória as palavras do senador Magno Malta, num discurso sobre o Kit Gay:
__Declarei meu apoio a presidente Dilma, mas não negocio minha consciência.
Para o meu alívio, fico plenamente cônscio que não perdi a cabeça no meio desta “Geração de descabeçados”. 

Ronair Gama